sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

6 aula.

Passou um mês desde a última aula. Confesso que já tinha saudades das aulas, da dinâmica, dos powerpoints que me fazem reflectir sobre a minha prática e essencialmente sobre a minha pessoa.

Na sala estava uma tela branca onde foi passado um filme..."espírito de equipa” que tinha como fundo a triologia dos senhores dos anéis, um dos meus filmes preferidos. No filme é bem visível o trabalho de equipa, em que todos lutam para que o anel não volte às mãos do seu criador Sauron, o Senhor do escuro. Lutam humanos, elfos, anões e ents. Todos juntos para ajudar Frodo a destruir o Anel na montanha... Numa equipa, só todos juntos podemos alcançar os objectivos, porque “unidos somos melhor que somados”.


De repente a minha imaginação levou-me à terceira era da terra (terra média mas devo voltar para a terra actual.

Aqui luto para proteger o Modelo de Intervenção Precoce, porque é neste modelo em que acredito onde deverá ser a intervenção ser centrada na família não esquecendo a criança. Na minha mente afloram muitas questões: 
Porque será que os técnicos têm dificuldade em “lidar” com as famílias? 
Porque é mais fácil intervir somente com a criança? 
Porque se tem dificuldade em ver os pontos fortes da família? Porque é que há técnicos que conseguem integrar rapidamente este modelo e outros têm mais dificuldade? 
Poderá a formação base dos técnicos ter influência nestas dificuldades de implementação e de construir práticas cada vez mais adaptadas e próximas das consideradas ideais?

Na minha equipa, neste momento debatemo-nos com algumas questões relacionadas com a avaliação e intervenção centradas na família. Ainda que em termos teóricos os técnicos tenham a formação teórica adequada e conhecimento acerca das práticas consideradas ideias, a verdade é que se continuam a utilizar modelos de avaliação centrados na criança, exemplificando: utilização de provas de desenvolvimento estandardizadas, e mesmo a intervenção nalguns casos centrada exclusivamente na criança, (a terapia da fala, a fisioterapia e o apoio educativo. Compreendo que seja necessário uma intervenção mais personalizada à criança mas não podemos esquecer o modelo ecológico, todo o contexto em que esta se insere. 

Se queremos promover a autonomia devemos dar à família e a quem trabalham com a criança as ferramentas necessárias e estratégias que as ajudem a ultrapassar as dificuldades necessárias.

Neste sentido, nas reuniões de equipa todas estas questões e dificuldades de implementar práticas que vão de encontro a um modelo centrado na família são debatidas, de forma a clarificar, reflectir sobre as suas práticas e melhorar. A supervisão é um ponto essencial para se construir praticas cada vez mais centradas na família.

Uma equipa não pode estar fechada em si mesmo tem que estar aberta à comunidade, ao exterior, às outras instituições, às outras equipas, porque nenhuma equipa é uma ilha e não deve estar fechada em sim mesma... sozinha, acaba por não conseguir nada porque ninguém sobrevive sozinho. Precisamos todos uns dos outros! Somos um ser biopsicossocial, em constate relação com os outros. 

Uma equipa é como uma flor. Primeiro temos que semeá-la e plantá-la na terra, para que possa ela nascer e crescer. Para crescer saudável tem que ser regada, podada e cuidada todos os dias (importância do diálogo e das boas relações interpessoais) e quando vier um fogo...temos que apagá-lo todos juntos... (filme do fogo).

No final o professor deixou algumas palavras que me emocionaram...e que mais uma vez em fizeram-se pensar sobre a vida. É muito importante brincar com nós próprios, é importante vestir a camisola e saber tirá-la quando vamos para casa, não estar sempre com ela vestida.

Acima de tudo o importante é sermos FELIZES!

sábado, 11 de dezembro de 2010

5 aula.



O problema de um é o problema de todos. Este podia ser o slogan para colocar num cartaz à entrada da porta da sala de reuniões da equipa.

Por vezes, nas equipas quando surge um problema ninguém  quer ter exclusiva responsabilidade... e muitas vezes este é atribuído ao outro. 

Nunca tinha pensado sobre este assunto, mas na nossa equipa temos por vezes a visão que os casos só dizem respeito aos técnicos que estão a intervir e normalmente até digo que esse caso é da colega tal, não é meu.  A partir de hoje vou deixar de o fazer, porque os casos são todos da equipa. O problema de um é de todos. 

Quando surge um problema na equipa temos que nos focalizar para tentar resolvê-lo, e se forem  se forem vários é importante priorizá-los. Foi isso que realizámos na aula com um trabalho de grupo. Tínhamos que encontrar um problema e para esse problema várias soluções e o objectivo era em grupo decidirmos qual era a melhor solução. No nosso grupo foi fácil encontrar a solução por consenso. Fiquei constrangida ao aperceber-me que houve grupos na sala que tiveram alguma dificuldade em encontrar uma solução que agradasse a todos. 

Penso que é crucial saber  comunicar, apresentar as suas próprias ideias e ideais, discutir, saber ouvir, valorizar a opinião dos colegas e entender que a diversidade de opiniões.  É enriquecedora do trabalho em equipa. 

Numa equipa não há espaço para o individualismo mas sim para cooperação.  O trabalho é um resultado e esforço de todos. Assim, os fracassos e as glórias são da responsabilidade de todos os elementos da equipa e não de um, individualmente. 




(Estou sentada na cadeira, com o lápis na mão...e não sei mais o que dizer...)

 
Termino com uma música do cante alentejano...

 

sábado, 13 de novembro de 2010

4 aula.





Hoje, não me sinto inspirada para escrever .... mas sim para fazer um vídeo.








sábado, 6 de novembro de 2010

3 aula.

Não há saber mais ou saber menos, há saberes diferentes" (Paulo Freire).

Na aula de hoje o professor iniciou com a estória da canoa do Paulo Freire, que vai ao encontro do meu último pensamento da aula passada, em que todos somos diferentes mas importantes, porque é da diferença que nasce o saber.

Para que uma equipa passe a ser EQUIPA e não seja meramente um grupo, o objectivo tem que ser o mesmo, tem que haver dignidade, respeito pelas opiniões individuais, partilha de informação. e que todos cumpram a sua perte. 

Lembrei-me da estória do Beija Flor:
Era uma vez uma floresta num lugar longínquo, onde o Homem ainda não tinha chegado. Nessa floresta viviam muitos animais de diferentes espécies, tamanhos, cores e feitios. Era ainda o tempo em que os animais falavam.
Certo dia, houve um incêndio, um grande incêndio, como nunca antes havia sido visto. Perante a tragédia, o pânico instalou-se. Os animais fugiam num alvoroço, cada um procurando, da melhor forma possível, fugir às chamas, ao fumo sufocante e ao intenso calor que se fazia sentir, só pensando em colocar-se a salvo o quanto antes.
Mas... naquele cenário caótico, de desespero e medo colectivos, um pequeno animal teve um comportamento diferente. Na sua fragilidade, na sua singela figura, um beija-flor voava até ao lago e, com o seu pequenino e aguçado bico, recolhia, uma a uma, lenta mas persistentemente , gotinhas de água atrás de gotinhas de água, que ia depois deixando cair sobre o incêndio que lavrava cada vez mais descontrolado.
Um outro animal, observando intrigado o comportamento do pequeno beija-flor, interrompeu a sua fuga e perguntou:
- Beija-flor, mas tu estás louco? Porque te arriscas assim? Tu achas verdadeiramente que vais conseguir apagar o incêndio dessa forma?
O Beija-flor respondeu então:
- Não... claro que não, eu sei que o meu pequeno esforço não será suficiente para apagar este incêndio tão grande mas... eu estou apenas...a cumprir a minha parte!

Fazendo a analogia com o trabalho em equipa, se todos nós cumprirmos a nossa parte o “fogo” pode ser extinto ou pelo menos não atingir grandes proporções.

Muitas vezes, perante grandes dificuldades, a maioria opta pelo confortável e seguro e se for seguro fugir não existirá. É importante numa equipa que cada um se mantenha firme e faça a sua a sua parte. Aqui entra o papel do líder (assertivo), que deverá conciliar os diferentes elementos para que estes se mantenham firmes, animados e empenhados, mantendo entre si relações positivas. Parece-me ainda pertinente, a nível profissional, não olhar para as nossas próprias necessidades mas para as dos outros e do bem comum. 

Fazendo uma analogia com o trabalho em IP, os técnicos devem focar-se nas necessidades da família e da criança e não nas suas próprias necessidades.



sábado, 23 de outubro de 2010

2 aula.





Durante a semana reflecti sobre o que é mais importante para uma equipa e muito além da formação e competência profissional, os valores e formação pessoal que revestem o técnico são sem dúvida muito importantes e que não se adquirem facilmente se adquire nas formações. Os valores pessoais, os estereótipos sociais e os preconceitos que fazem parte do técnico enquanto pessoa que nasce e se desenvolve numa dada cultura, com determinados princípios e valores, são difíceis de ocultar quando existe o confronto com valores contrários àquilo em que acredita.




Não podemos deixar os nossos valores e crença interferirem no olhar para o outro. A empatia, a capacidade de se abster destes valores pessoais e de aceitar os colegas como parte integrante de uma cultura diferente mas que carece de respeito, tendo em conta os valores em que também acreditam, dificilmente se absorve numa formação orientada para estes processos. Em várias formações, que já fiz enquanto técnica deparei-me com questões a este nível e foi clara a influência que as questões pessoais têm que e que estas se sobrepõem, dificultando uma visão integrativa e de aceitação para com o outro. Nas reuniões de equipa, por vezes ao discutirmos casos, as opiniões divergem e quando isso acontece, o técnico deve expor a sua opinião e daí nasce a possibilidade de verdadeiramente ajudar a equipa a resolver os problemas. Se eu ficar no meu “casulo” não contribuo para o crescimento da equipa.


Voltando à aula...Pensei como será hoje? Estas aulas são sempre imprevisíveis e temos que nos expor tanto. Às vezes dói. Estava receosa mas ao mesmo tempo essa ansiedade dava lugar a uma vontade de aprender coisas novas e diferentes e estas aulas são isso mesmo: diferentes, práticas, dinâmicas e fazem-nos reflectir...


Hoje criámos uma equipa, demos-lhe um nome (Naikan), um lema (Um trilho no Alentejo) e um logótipo. A nossa equipa era constituída por quatro elementos, cada um com a sua profissão, os seus valores. No inicio estava ansiosa porque não conhecia todos os elementos da equipa e quando não me sinto à vontade tenho algumas dificuldades em expor-me e dar a minha opinião.

(Pausa: Parei para ouvir música e animar a alma)




 

Retomando a reflexão... Passado alguns minutos comecei a sentir-me à vontade com o grupo e aos poucos fui dando a minha opinião. Foi um exercício que aparentemente parecia simples mas se não tivesse havido uma boa comunicação entre todos os elementos, um aceitar a opinião do outro, o cooperar e discutir o ponto de vista de cada um, teria sido difícil chegar a um consenso. Divertimo-nos muito porque conseguimos cumprir o objectivo.

Numa equipa também é muito importante a criatividade.


http://livreiniciativa.wordpress.com/2010/04/06/100-maneiras-para-ser-mais-criativo-no-trabalho


Mas o mais importante é que todos os elementos têm qualidades e devem disponibilizá-las para a equipa.


Quando estamos a trabalhar também é importante sentirmo-nos bem e poder rir e sorrir, daí sugerir às  equipas sessões de risoterapia.
 

sábado, 9 de outubro de 2010

1 aula.


            Para ser grande, sê inteiro: nada
            Teu exagera ou exclui.
            Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
            No mínimo que fazes.
            Assim em cada lago a lua toda
            Brilha, porque alta vive.
           
         Ricardo Reis

Na primeira aula do segundo semestre tinha grandes expectativas em relação à disciplina. Seria uma repetição do mesmo sentimento do primeiro semestre? Não! Bastante diferente creio.
Sinto que já estou dentro da estrutura do Mestrado já conheço o espaço, as colegas, o que me é exigido ... Gostava de continuar a empenhar-me e dar o meu melhor para assim conseguir resultados positivos.
   
No primeiro semestre não sabia o que me esperava nem com o que contar. Apenas podia “fantasiar” com algo totalmente desconhecido. Hoje “ fantasio” com algo que já conheço. Sinto receio de criar expectativas demasiado elevadas em relação a mim, porque estou num processo gradual de aprendizagem e desenvolvimento mas espero sempre alcançar mais de mim própria...Expectativas em relação ao que sei, ou não sei e ao que esta disciplina poderá trazer de enriquecimento pessoal, académico e profissional. 



Quando o medo e o receio apoderam-se na minha mente tenho apelar ao Fernão Capelo Gaivota que existe dentro de mim. “ Tu tens a liberdade de ser tu próprio, o teu verdadeiro eu, aqui e Agora, não se pode interpor no teu caminho”.














Tento agarrar aquela força que não me deixa desistir mesmo que haja fracassos e dificuldades no caminho. Cultivo o gosto pela aprendizagem e pela descoberta de coisas novas e sinto ser possível caminhar, voar mais longe e superar os meus limites.



Mas confesso que quando vi o nome da disciplina fiquei um pouco assustada: “Metodologias Transaccionais de Organização e Gestão de Equipas”. O que é que na prática significava esta disciplina? Mas rapidamente o professor aliviou a minha ansiedade quando disse que a disciplina era sobre o trabalho em equipa. Fiquei mais tranquila.  

Posteriormente falou-se dos trabalhos de avaliação para este semestre: realizar um portfólio e uma recensão crítica. Fiquei receosa, expectante. Quando estou a sós com os meus pensamentos, por vezes sinto que não sou capaz. Fiquei insegura mas será que essa insegurança se vai desvanecer quando começar os trabalhos? Tenho tentado deixar a vida fluir, seguir o ser rumo, sem antecipações pessimistas.  

O primeiro impacto foi deveras impressionante. Adorei a apresentação, foi completamente diferente, da que decorreu nas outras disciplinas. O professor ia pedindo aleatoriamente a cada aluno para se identificar com um objecto, uma cidade, uma viagem, um animal … Eu fiquei de me identificar com um transporte e eu respondi: bicicleta. Comecei a reflectir porquê a bicicleta? Porque é ecológica, chega facilmente ao sítio que queremos, mas para lá chegar também temos que pedalar muito. Da nossa vida académica e profissional também é necessário trabalhar muito, Numa equipa todos têm que pedalar para que senão cheguemos ao destino desejado. 
 

Feita a apresentação original de todos os colegas, o professor deu um teste para fazermos. O teste denominava-se “Teste – rapidez - compreensão da comunicação escrita” e o objectivo era responder o mais rápido possível. Comecei a responder ao teste e o sentimento que tive foi de não querer ser a última a terminar. Queria ser rápida e eficaz mas não prestei atenção ao segundo ponto: “Leia tudo com atenção antes de executar qualquer tarefa indicada” e fui fazendo até ao fim e no fim dizia: “agora que acabou de ler tudo com atenção execute apenas a instrução número quatro: “Agora escreva o seu nome na linha A” pensei logo no provérbio “a pressa é  inimiga da perfeição” e o desejo de cumprir tudo pode ofuscar a nossa capacidade de atenção. Imediatamente comecei a fazer a ligação com a minha prática, ou seja, será que quando estou com as famílias estou mais preocupada a resolver as situações e não presto a devida atenção aos pormenores?


Foi pedido que fizéssemos um anúncio para um jornal para sermos contratados para uma equipa de intervenção precoce. 
 

Comecei a pensar no que poderia colocar e foi difícil descrever-me em poucas linhas e escrever as minhas qualidades é-me difícil falar de mim...daquilo que não sabemos ou que temos dificuldades em fazer.  Ainda que eu saiba que pode ser uma questão cultural e educativa (estarmos demasiado centrados no “não” e no “mau”) sinto que por vezes também posso ter falta de auto-estima, falta de confiança em mim própria, pessimismo. Enfim, já estou a divagar. 

Voltando ao exercício: coloquei a minha profissão, os anos de experiências e algumas qualidades profissionais e não consegui colocar as minhas qualidades pessoais. Porque seria? Porque na nossa sociedade damos mais importância ao profissional e esquecemo-nos das qualidades pessoais? Elas não estão dissociadas, antes de ser profissional sou pessoa. Posteriormente, consoante o anúncio, assim escolhíamos as pessoas para constituir uma equipa. Fiquei feliz e deu-me muita segurança  ter ficado com a Carla na minha equipa.  É uma pessoa, amiga, companheira, colega de trabalho que já conheço de longa data e que à partida não me iria julgar.

No final da aula o professor colocou uma imagem com o seguinte slogan:
eu não sou perfeito, tu não és perfeito. Mas a nossa equipa pode sê-lo! 

Mas afinal o que é uma equipa? Uma equipa é um conjunto de vários elementos/ membros que têm diferentes saberes profissionais e pessoais que deverão trabalhar para um objectivo comum. E o que é mais importante numa equipa, o saber profissional ou pessoal? Creio que ambos são importantes. Do que precisamos para trabalhar em equipa?